Capoeira como dispositivo de cuidado em um caps ad: expressões afrorreferenciada no campo da saúde mental
DOI :
https://doi.org/10.17561/rtc.29.9708Mots-clés :
saúde mental , reabilitação psicossocial , cultura, capoeiraRésumé
Este artigo analisa as repercussões da prática de capoeira como dispositivo de cuidado em saúde no campo da saúde mental em um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) no município de São Paulo – Brasil. Com base em uma pesquisa qualitativa e retrospectiva realizada em um Programa de pós- Graduação no Brasil, utilizou-se o método da cartografia para acompanhar os processos subjetivos e coletivos produzidos no grupo que incluía a capoeira como linguagem expressiva e prática corporal afrorreferenciada. A experiência foi registrada por meio de diários de bordo e fotografias. A capoeira, compreendida como prática cultural e corporal afrorreferenciada, revelou-se potente para promover a escuta, o vínculo, a reconstrução de narrativas subjetivas, em especial para pessoas negras e periféricas em sofrimento psíquico decorrente do uso radical de álcool e outras drogas e o fortalecimento das redes de apoio. Como expressão afrorreferenciada de cuidado, a capoeira contribui para a desinstitucionalização e a valorização de práticas culturais como dispositivos legítimos de atenção em saúde mental. O artigo propõe uma reflexão crítica sobre a articulação entre arte, saúde e cultura no cotidiano dos serviços CAPS.
Téléchargements
Références
Abib, P. R. J. (2004). Capoeira Angola: cultura popular e o jogo dos saberes na roda. Resgate: Revista Interdisciplinar de Cultura, 12(1), 171-176. https://doi.org/10.20396/resgate.v12i13.8645622
Alves, M. C., & Seminotti, N. A. (2006). O pequeno grupo” Oficina de Capoeira” no contexto da reforma psiquiátrica. Saúde e sociedade, 15(1), 58-72. https://doi.org/10.1590/S0104-12902006000100007
Amarante, P. (1995). Loucos pela vida: a trajetória da reforma psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: Fiocruz.
Amarante, P., & Torre, E. H. G. (2017). Loucura e diversidade cultural: inovação e ruptura nas experiências de arte e cultura da Reforma Psiquiátrica e do campo da Saúde Mental no Brasil. Interface-Comunicação, Saúde, Educação, 21, 763-774. https://doi.org/10.1590/1807-57622016.0881
Amaral, M. G. T. D., & Santos, V. S. D. (2015). Capoeira, herdeira da diáspora negra do Atlântico: de arte criminalizada a instrumento de educação e cidadania. Revista do instituto de estudos brasileiros, (62), 54-73. https://doi.org/10.11606/issn.2316-901X.v0i62p54-73
Campos, G. W., Barros, R. B. D., & Castro, A. M. D. (2004). Avaliação de política nacional de promoção da saúde. Ciência & Saúde Coletiva, 9(3), 745-749. https://doi.org/10.1590/S1413-81232004000300025
Correa, I. L. D. S., & Dorneles, J. C. (2008). CAPOEIRA ANGOLA: A LUTA DOS ANCESTRAIS. Salão de Extensão (09.: 2008: Porto Alegre, RS). Caderno de resumos. Porto Alegre: UFRGS/PROREXT, 2008.
Deleuze, G. (1992). Conversações. São Paulo: Editora 34.
Deleuze, G., & Guattari, F. (1997). Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. Rio de Janeiro: Editora 34, 1994. v. 4.
Deleuze, G. (1997). Crítica e clínica. São Paulo: Editora, 34.
Fanon, F. (2008). Pele negra, máscaras brancas. Salvador: EDUFBA.
Ferrugem, D. (2019). Guerra às drogas e a manutenção da hierarquia racial. São Paulo: Autonomia Literária. https://doi.org/10.12957/rep.2020.47208
Furlan, P. G., & Campos, G. W. S. (2010). Os grupos na atenção básica à saúde. In Brasil, Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde (Org.), Política Nacional de Humanização (Vol. 2, pp. 105–116). Cadernos HumanizaSUS.
Fleury, S. (2009). Reforma sanitária brasileira: dilemas entre o instituinte e o instituído. Ciência & Saúde Coletiva, 14(3), 743-752. https://doi.org/10.1590/S1413-81232009000300010
Fontoura, A. R. R., & Guimarães, A. C. D. A. (2002). História da capoeira. Revista da Educação Física, 13(2), 141-150.
Frigerio, A. (1989). Capoeira: de arte negra a esporte branco. Revista Brasileira de Ciências Sociais, 4(10), 85-98.
Gomez, F. D. M. P. (2015). Capoterapia: A capoeira Angola como oficina terapêutica na reabilitação psicossocial de pessoas com diagnósticos de transtornos mentais (Dissertação de mestrado, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto). Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP.
Iglesias, A., & Dalbello-Araujo, M. (2011). As concepções de promoção da saúde e suas implicações. Cad. saúde colet.,(Rio J.).
Passos, E., & Barros, R. B. (2015). A cartografia como método de pesquisa-intervenção. In E. Passos, V. Kastrup, & L. Escóssia (Orgs.), Pistas do método da cartografia: Pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Sulina.
Reis, M., & Bagolin, L. A. (2011). Arte como experiência. Cadernos de Pesquisa, 41(142), 268–285. https://doi.org/10.1590/S0100-15742011000200003
Santos, A. D. O. D., Schucman, L. V., & Martins, H. V. (2012). Breve histórico do pensamento psicológico brasileiro sobre relações étnico-raciais. Psicologia: Ciência e Profissão, 32, 166-175. https://doi.org/10.1590/S1414-98932012000500012
Schucman, L. V. (2014). Sim, nós somos racistas: estudo psicossocial da branquitude paulistana. Psicologia & Sociedade, 26, 83-94. https://doi.org/10.1590/S0102-71822014000100010
Schucman, L. V. (2014). Entre o encardido, o branco e o branquíssimo. São Paulo: Veneta.
Lima, E. A., Castro, E. D. D., Buelau, R. M., Valent, I. U., & Inforsato, E. A. (2015). Interface arte, saúde e cultura: um campo transversal de saberes e práticas. Interface-Comunicação, Saúde, Educação, 19, 1019-1022. https://doi.org/10.1590/1807-57622015.0680
Williams, R. (1992). Cultura. Paz e Terra.
Téléchargements
Publié
Numéro
Rubrique
Licence
© Stefania Vallado Alves, Flavia Liberman Caldas 2026

Cette œuvre est sous licence Creative Commons Attribution 4.0 International.
Aquellos autores/as que tengan publicaciones con esta revista, aceptan los términos siguientes:
- Los autores/as conservarán sus derechos de autor y garantizarán a la revista el derecho de primera publicación de su obra, el cuál estará simultáneamente sujeto a la Licencia de reconocimiento de Creative Commons que permite a terceros compartir la obra siempre que se indique su autor y su primera publicación esta revista.
- Los autores/as podrán adoptar otros acuerdos de licencia no exclusiva de distribución de la versión de la obra publicada (p. ej.: depositarla en un archivo telemático institucional o publicarla en un volumen monográfico) siempre que se indique la publicación inicial en esta revista.
- Se permite y recomienda a los autores/as difundir su obra a través de Internet (p. ej.: en archivos telemáticos institucionales o en su página web) antes y durante el proceso de envío, lo cual puede producir intercambios interesantes y aumentar las citas de la obra publicada. (Véase El efecto del acceso abierto).
En caso de ser aceptados, los trabajos se publicarán bajo licencia Creative Commons.














